quarta-feira, 14 de março de 2018

Cultura

CULTURA: SIGNIFICADO E CONCEITO A palavra cultura vem do latim, significa colere, que definia inicialmente o cultivo das plantas, cuidado com os animais e a terra (por isso, agricultura). Define ainda o cuidado com as crianças e sua educação, cuidado com os deuses (por isso, culto). Neste sentido o termo cultura seria colere = cultivar ou instruir Com a antropologia, o termo cultura passou a ter outro sentido, definido pelo pesquisador inglês Edward Taylor que diz: “a cultura é todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade o hábito adquirido pelo homem como membro de uma sociedade”. 1.3. NATUREZA, TRABALHO e CULTURA. Tudo começa com a natureza (tudo aquilo não criado pelo homem como água, vento, terra, etc) e, depois o ser humano, agindo sobre ela com seu trabalho (toda atividade física e mental que o homem realiza criando ou inventando bens e serviços) passa criar instrumentos e relações sociais com os outros. Desde os primórdios sempre procuramos viver melhor, facilitar nosso modo de vida, isso faz parte da nossa natureza humana – isso acontece graças a tudo aquilo que nos diferencia dos outros animais como: a linguagem comunicativa simbólica, capacidade de invenção e criação intencional e planejada; tudo isso favorecida pelas nossas vantagens fisiológicas: como um cérebro desenvolvido, posição ereta e liberação das mãos. Assim, o homem primitivo criou o arco, a flecha, para facilitar a caça, criou a agricultura para sempre ter alimentos, criou roupas, para se proteger do frio, casas para se abrigar das tempestades (foi se criando a cultura material que são objetos e utensílios que facilitam a vida das pessoas) etc. O homem primitivo percebeu que junto com outros seres humanos podia organizar uma vida social (sociedade) onde se protegeria dos grandes animais ferozes e de seus inimigos rivais, bem como conseguir mais alimentos, percebeu também que para perpetuar-se em grupos precisava de regras sociais que conduzisse as novas gerações (surgiu a cultura imaterial que são os costumes, as regras, os valores). O mundo que resulta do pensar e do agir humano não pode ser chamado de natural, pois se encontra transformado e ampliado por nós. Portanto, as diferenças entre pessoa e animal não são apenas de grau, porque enquanto o animal permanece adaptado a natureza, nós somos capazes de transforma-la através do trabalho, tornando possível a cultura. Ao mesmo tempo em que transforma a natureza, adaptando-a às necessidades humanas, o trabalho altera o próprio individuo, desenvolvendo suas faculdades. O trabalho é, portanto, condição de transcendência e, como tal, expressão da liberdade.

Antropologia

1.1. ANTROPOLOGIA A antropologia é uma ciência social que surgiu no século XVIII. Porém, foi somente no século XIX que se organizou como disciplina científica. A palavra tem o seguinte significado, cuja origem etimológica deriva do grego anthropos/antropo (homem, pessoa) e logos/logia (razão, pensamento ou estudo). Esta ciência estuda, principalmente, os costumes, as crenças, os hábitos e aspectos físicos dos diferentes povos e a evolução da espécie humana. A antropologia é o estudo do homem como ser biológico, social e cultural. Sendo cada uma destas dimensões por si só muito ampla, o conhecimento antropológico, geralmente a antropologia é organizada em áreas especializadas com o objetivo de estudar detalhadamente os aspectos culturais do ser humano, por isso, ela divide-se em: Antropologia física ou biológica – estuda os aspectos genéticos e biológicos do homem; Antropologia social – estuda as organizações sociais e políticas, instituições sociais, parentescos e etc. Antropologia cultural – estuda os sistemas simbólicos, religiões, comportamentos e etc. A antropologia utiliza como fontes de pesquisas: livros, imagens, objetos, depoimentos e as observações, através da vivência entre os povos ou comunidades estudadas, são comuns e fornecem muitas informações úteis ao antropólogo. Qualquer que seja a definição é possível entender a antropologia como uma forma de conhecimento sobre a diversidade cultural, isto é, a busca de respostas para entendermos o que somos a partir do espelho fornecido pelo “outro” – aquilo que representa o diferente, o estranho, no que nos deixa perplexo. Assim ficamos vulneráveis sem o saber da certeza, expelimos nossa ignorância quando julgamos e avaliamos o que não conhecemos, caindo nos erros da generalização e do preconceito.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Revisão Bimesrtral (2º bim Colégio Miranda)




1) Descreva sinteticamente como ocorreu o processo de urbanização pelo mundo desde o século XIX, a partir da Europa, berço da Primeira Revolução Industrial, até a atualidade.
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2) fale sobre a teoria de Thomás Malthus ou malthusiana.
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3) Por que os prognósticos de Malthus a respeito do futuro da humanidade não se confirmaram?
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4) O que é índice de crescimento natural ou vegetativo?
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5) Explique os seguintes conceitos:
a)       Explosão demográfica;
b)       Transição demográfica.
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6) Qual foi a contribuição dos imigrantes para o incremento demográfico brasileiro?
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7) Por que o crescimento natural brasileiro entrou em declínio a partir da segunda metade do séc. XX?
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8) Por que o crescimento demográfico brasileiro entrou em declínio a partir da segunda metade do séc. XX?
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9) Como iniciou-se os conflitos atuais na região da Síria?
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10) Como se deu a assimilação dos Direitos Civis dos negros no EUA?
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11) Explique a origem dos conflitos africanos.
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12) Quais são as exigências do País Basco à Espanha?
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13) O que são os seguintes conflitos:
a)       Caxemira: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________
b)       Reino Unido: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________
c)       América- Colômbia: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Gabarito

1)Ocorreu com o aumento da população dos centros urbanos, vindo do interior para trabalhar na cidade, criando novas moradias.

2)Segundo Malthus a população cresceria em PG enquanto a Produção ,de Alimentos em PA, o que levaria ao colapso mundial.

3)Os prognósticos não se confirmaram porque a produção de alimentos ultrapassa a expectativa levando ao desperdício de 30% do total produzido.

4)É a diferença entre o total de nascimentos e óbitos.

5)a- É o aumento acelerado da população de um determinado espaço.
b- É a mudança de um grupo para um determinado espaço em razão de fatores externos.

6)Os imigrantes aumentaram a população brasileira porque vieram com suas famílias e fixaram-se.

7)Entrou em declínio porque a mulher brasileira decidiu trabalhar fora, tendo assim menos tempo pra sua família então optou por um número menor de filhos.

8)O crescimento demográfico entrou em declínio porque localidades brasileiras perderam parte de sua população por causa de fatores naturais que estimularam a migração.

9)Os conflitos na região da Síria iniciaram com a tentativa de derrubar seu ditador,financiado por grandes potências.

10)Através de manifestações pacíficas lideradas por Martin Luther King.

11)Os conflitos africanos tem origem na má distribuição do território pelos seus colonizadores.

12)O País Basco tem língua e cultura próprias e quer se afastar de dominação Espanhola e Francesa já que seus domínios abrangeram os dois países.

13) a- É um conflito étnico de longa data em que a maioria muçulmana quer que a região pertença ao Paquistão não a Índia.
b- Conflito entre católicos e protestantes da Irlanda em que cada grupo quer fazer prevalecer a sua religião.
c- Começou com uma revolução por direitos dos indígenas e hoje perdeu sua referência pois associou-se ao narcotráfico.

terça-feira, 31 de março de 2015

O problema da escassez de água no mundo A escassez de água no mundo é agravada em virtude da desigualdade social e da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. De acordo com os números apresentados pela ONU - Organização das Nações Unidas - fica claro que controlar o uso da água significa deter poder. As diferenças registradas entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento chocam e evidenciam que a crise mundial dos recursos hídricos está diretamente ligada às desigualdades sociais. Em regiões onde a situação de falta d'água já atinge índices críticos de disponibilidade, como nos países do Continente Africano, onde a média de consumo de água por pessoa é de dezenove metros cúbicos/dia, ou de dez a quinze litros/pessoa. Já em Nova York, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar dois mil litros/dia. Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água, 21% vai para a indústria e apenas 6% destina-se ao consumo doméstico. Um bilhão e 200 milhões de pessoas (35% da população mundial) não têm acesso a água tratada. Um bilhão e 800 milhões de pessoas (43% da população mundial) não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, temos a triste constatação de que dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água. Vivemos num mundo em que a água se torna um desafio cada vez maior. A cada ano, mais 80 milhões de pessoas clamam por seu direito aos recursos hídricos da Terra. Infelizmente, quase todos os 3 bilhões (ou mais) de habitantes que devem ser adicionados à população mundial no próximo meio século nascerão em países que já sofrem de escassez de água. Já nos dias de hoje, muitas pessoas nesses países carecem do líquido para beber, satisfazer suas necessidades higiênicas e produzir alimentos. Numa economia mundial cada vez mais integrada, a escassez de água cruza fronteiras, podendo ser citado com exemplo o comércio internacional de grãos, onde são necessárias 1.000 toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, sendo a importação de grãos a maneira mais eficiente para os países com déficit hídrico importarem água. Calcula-se a exaustão anual dos aqüíferos em 160 bilhões de metros cúbicos ou 160 bilhões de toneladas. Tomando-se uma base empírica de mil toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, esses 160 bilhões de toneladas de déficit hídrico equivalem a 160 milhões de toneladas de grãos, ou metade da colheita dos Estados Unidos. Os lençóis freáticos estão hoje caindo nas principais regiões produtoras de alimentos: • a planície norte da China; • o Punjab na Índia e • o sul das Great Plains dos Estados Unidos, que faz do país o maior exportador mundial de grãos. A extração excessiva é um fenômeno novo, em geral restrito a última metade do século. Só após o desenvolvimento de bombas poderosas a diesel ou elétricas, tivemos a capacidade de extrair água dos aqüíferos com uma rapidez maior do que sua recarga pela chuva. Além do crescimento populacional, a urbanização e a industrialização também ampliam a demanda pelo produto. Conforme a população rural, tradicionalmente dependente do poço da aldeia, muda-se para prédios residenciais urbanos com água encanada, o consumo de água residencial pode facilmente triplicar. A industrialização consome ainda mais água que a urbanização. A afluência (concentração populacional), também, gera demanda adicional, à medida que as pessoas ascendem na cadeia alimentícia e passam a consumir mais carne bovina, suína, aves, ovos e laticínios, consomem mais grãos. Se os governos dos países carentes de água não adotarem medidas urgentes para estabilizar a população e elevar a produtividade hídrica, a escassez de água em pouco tempo se transformará em falta de alimentos. Estes governos não podem mais separar a política populacional do abastecimento de água. Da mesma forma que o mundo voltou-se à elevação da produtividade da terra há meio século, quando as fronteiras agrícolas desapareceram, agora também deve voltar-se à elevação da produtividade hídrica. O primeiro passo em direção a esse objetivo é eliminar os subsídios da água que incentivam a ineficiência. O segundo passo é aumentar o preço da água, para refletir seu custo. A mudança para tecnologias, lavouras e formas de proteína animal mais eficientes em termos de economia de água proporciona um imenso potencial para a elevação da produtividade hídrica. Estas mudanças serão mais rápidas se o preço da água for mais representativo que seu valor. Com esta conscientização cada vez mais crescente, cada nação vem se preparando ao longo do tempo para a valorização e valoração de seus recursos naturais.
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,sistema-cantareira-tem-57-menos-agua-do-que-tinha-ha-1-ano,1659527O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,sistema-cantareira-tem-57-menos-agua-do-que-tinha-ha-1-ano,1659527O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,sistema-cantareira-tem-57-menos-agua-do-que-tinha-ha-1-ano,1659527Maior crise hídrica de SP expõe lentidão do governo e sistema frágil Salvar • 0 comentários • Imprimir • Reportar Publicado por Carolina Salles e mais 1 usuário - 1 ano atrás 1 No dia 1º de fevereiro, 8,8 milhões de paulistanos foram surpreendidos por uma novidade: se consumissem 20% menos água, ganhariam desconto de 30% na conta seguinte. O bônus faz parte das medidas emergenciais adotadas pelo governo do Estado durante a pior crise hídrica vivida por São Paulo na sua história recente. A princípio, o bônus valeria até setembro, mas, em março, foi estendido até o fim do ano. O significado da prorrogação é claro: o problema é grave e não há previsão de quando será resolvido – e a situação pode piorar. Após o verão mais quente e seco em sete décadas, o nível do principal conjunto de reservatórios da região metropolitana, o Sistema Cantareira, chegou a 14,6% na última sexta-feira, o mais baixo desde que foi criado, em 1974. O comitê anticrise, formado pela Agência Nacional de Águas (ANA), o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), estima que o Cantareira se esgotará pela primeira vez em junho, se nada for feito. O governo de São Paulo aponta como razão o clima. "Com mudanças climáticas, tem ano em que chove demais e, em outros, de menos", afirmou o governador Geraldo Alckmin em entrevista à rádio Bandeirantes. "É uma situação excepcional." Mas a situação não é tão incomum. Maria Assunção Silva Dias, pesquisadora de Ciências Atmosféricas da USP, diz à BBC Brasil que São Paulo já viveu períodos graves de escassez. “Não é nem preciso falar em mudanças climáticas. Existe a variabilidade normal do clima", afirma Dias."Desde 1930, tivemos vários anos de precipitação bem abaixo da média, alguns deles seguidos. Se aconteceu no passado, pode acontecer de novo. Não é surpresa." Entre 2009 e 2013, São Paulo viveu a situação contrária, com chuvas até 30% acima da média. Era natural, diz a especialista, que em seguida viesse um período de seca."Tinha-se a ideia de que havia autossuficiência de água em São Paulo, mas não é verdade”, afirma Dias. “A crise expôs a fragilidade do sistema, que opera no limite. Bastaram três meses de pouca chuva para ver que ele não se sustenta." Dependência A permissão para que a Sabesp retire água do Cantareira foi renovada há dez anos, quando o atual governador Alckmin ocupava o mesmo cargo. Na época, já se previa no contrato de outorga buscar formas de reduzir a dependência da região da capital, que é abastecida por outros três sistemas – o Alto Tietê, Guarapiranga e Rio Claro -, em relação ao Cantareira. Na avaliação do Ministério Público do Estado (MPE), o governo não cumpriu essa exigência." São Paulo continua a retirar a mesma quantidade de água do que há dez anos e pede ainda mais na nova permissão, que será conferida em agosto ", diz a promotora Alexandra Faccioli."Estamos passando por esta situação porque o planejamento falhou. Não foi feito o que era necessário." O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni, diz que medidas importantes foram tomadas, como a redução do desperdício de água no sistema de transmissão de 30,7%, em 2011, para 25,7% em 2013. Ainda assim, hoje um quarto da água tratada se perde em algum lugar do caminho entre a represa e a torneira. O governo passou a captar mais água da bacia do Alto Tietê: de 10 mil litros por segundo para 15 mil litros por segundo. Também começou as obras para usar mais 4,7 mil litros por segundo do Vale do Ribeira, no interior do estado, com a construção do sistema São Lourenço. O início das operações era previsto para 2016, mas foi revisto para 2018." Sem essas ações estaria faltando água ", diz Giriboni." A falta de chuvas complica. " Abaixo do normal Não se pode, de fato, desconsiderar a questão climática entre os motivos desse momento crítico. O último verão foi o mais quente desde 1943, quando começaram as medições. A temperatura média, de 31,3ºC, ficou 3ºC acima do que no verão passado. Tudo graças a uma zona de alta pressão do Oceano Atlântico, que ficou parada sobre a região Sudeste por semanas e afastou as frentes frias e as chuvas. O alerta soou em dezembro, quando choveu 72% abaixo do normal. Em janeiro e fevereiro, a média foi 66% e 64% menor, respectivamente. É a estiagem mais intensa nos registros de chuvas feitos desde 1930. A pior marca anterior, de 61%, havia ocorrido em janeiro de 1953. Mas, na época, havia dez vezes menos pessoas vivendo na grande São Paulo, que conta com aproximadamente 20 milhões de habitantes atualmente. "O crescimento urbano acelerado aumentou a demanda de forma desorganizada. Com isso, o sistema ruiu”, diz Mario Mendiondo, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), à BBC Brasil. "É a crise mais impactante dos últimos 80 anos." Alerta No entanto, o governo estadual já havia sido alertado da fragilidade do sistema em 2009, durante a administração de José Serra, que é do mesmo partido do atual governador Geraldo Alckmin, o PSDB. Um documento produzido pela Fundação de Apoio à USP, o relatório final do Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, destacava que o Cantareira tinha um “déficit de grande magnitude” e aconselhava que medidas fossem tomadas para evitar seu colapso. O Ministério Público questiona ainda a ação do governo durante a crise. Em 3 de fevereiro, o MPE e o Ministério Público Federal enviaram um documento ao governo recomendando que a quantidade de água enviada a São Paulo fosse reduzida. A Sabesp tem direito a usar 24,8 mil litros por segundo do sistema Cantareira. Com a seca, vinha usando 33 mil litros. Fazia isso porque tinha direito a um excedente previsto nas regras. Se em um ano chove bastante e não se usa toda a água, ela é contabilizada como economia e pode ser distribuída à população depois. A redução acabou sendo realizada, um mês depois – primeiro para 31 mil litros e, agora, para 27,9 mil litros por segundo. "Cumprimos as determinações dos órgãos reguladores", diz o secretário Giriboni. "A situação é avaliada mensalmente, e havia em fevereiro uma possibilidade estatística de que chovesse bastante. Só que não choveu." Risco Manter o volume retirado evitou que as torneiras secassem, mas acelerou o esvaziamento do Cantareira. "Respeitar o limite da permissão implicaria em racionamento, medida que já deveria ter sido adotada. Mas há uma resistência grande em fazer isso porque não parece ser conveniente no momento" , diz Faccioli, do MPE. "Colocou-se o sistema em risco. Precisamos de medidas de longo prazo e não imediatistas." Para evitar o racionamento, o governo estadual iniciou obras avaliadas em R$ 80 milhões nas represas de Jaguari e Jacareí, no município de Joanópolis, e de Atibainha, em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. Isso permitirá retirar a água que fica no fundo, além do alcance do atual sistema de captação. Esse recurso nunca havia sido usado. O chamado volume morto é de cerca de 400 bilhões de litros. A previsão é usar metade. Ainda foram redirecionadas águas das Bacias do Tietê e Guarapiranga para atender 3 milhões de pessoas. A exigência de consumo mínimo de água foi suspenso. A empresa ModClima foi contratada por R$ 4,5 milhões para produzir chuva artificial sobre os reservatórios. E houve um corte de 15% da quantidade de água vendida para as cidades de São Caetano e Guarulhos – esta última aplicou um sistema de racionamento para compensar a perda. Dois novos 'Cantareiras' Mas, segundo cálculos do próprio governo em um estudo elaborado ao longo de mais de cinco anos - e apresentado neste mês -, São Paulo necessita dois novos sistemas equivalentes ao Cantareira nos próximos 20 anos para evitar o desabastecimento. O investimento é de, no mínimo, R$ 4 bilhões. Duas barragens na região das bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí já começaram a serem construídas. Quando estiverem prontas, em 2018, gerarão 7 mil litros por segundo. O estado ainda tenta obter junto ao governo federal autorização para ligar o Cantareira à Represa Jaguari, em Igaratá, por meio de canais e bombas. Avaliada em R$ 500 milhões, a ligação levaria mais 5,1 mil litros por segundo ao Cantareira a partir do segundo semestre de 2015. Esta represa recebe água do Rio Paraíba do Sul, que abastece 184 cidades em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Governo e prefeituras fluminenses resistem à proposta. "Meus técnicos adiantaram que é uma possibilidade remota, eu diria inviável, porque ela implica atrapalhar o abastecimento da população do Rio", disse o governador Sérgio Cabral, em sua conta no Twitter. "Isso não será tolerado." Peso eleitoral A questão começa também a ganhar peso eleitoral. Na sexta-feira, dois pré-candidatos ao governo estadual, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha e o presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, criticaram o governo Alckmin. "Se uma obra pode resolver o problema em um ano, por que não foi anunciada antes?", questionou Skaf em um congresso no interior do estado. Padilha fez coro em um artigo: "Soluções permanentes levam quatro anos (para ficar prontas). Resta torcer para que chova". As perspectivas não são animadoras. Apesar de em março ter chovido acima da média, não foi suficiente para reverter a situação do Cantareira. Segundo um estudo do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), a cabeceira do sistema precisa receber ao menos três vezes mais chuvas do que o normal para elevá-lo a níveis mínimos. Com o início do outono, na última sexta-feira, a expectativa é de boa quantidade de chuvas entre abril e maio, mas a tendência é que a escassez volte dali em diante com o tempo seco do inverno. "Dificilmente vamos sair dessa situação crítica até a próxima temporada de chuvas, no fim do ano", afirma Dias, da USP. Enquanto isso, é melhor economizar água. Foto: Reuters Fonte: BBCBrasil. Com - http://noticias.terra.com.br/brasil/maior-crise-hidrica-de-sp-expoe-lentidao-do-governoesistema-fr... Carolina Salles Direito Ambiental Mestre em Direito Ambiental. Doutoranda em Direito Ambiental e Sustentabilidade. ________________________________________