quinta-feira, 16 de abril de 2020
quarta-feira, 14 de março de 2018
Cultura
CULTURA: SIGNIFICADO E CONCEITO
A palavra cultura vem do latim, significa colere, que definia inicialmente o cultivo das plantas, cuidado com os animais e a terra (por isso, agricultura). Define ainda o cuidado com as crianças e sua educação, cuidado com os deuses (por isso, culto). Neste sentido o termo cultura seria colere = cultivar ou instruir
Com a antropologia, o termo cultura passou a ter outro sentido, definido pelo pesquisador inglês Edward Taylor que diz: “a cultura é todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade o hábito adquirido pelo homem como membro de uma sociedade”.
1.3. NATUREZA, TRABALHO e CULTURA.
Tudo começa com a natureza (tudo aquilo não criado pelo homem como água, vento, terra, etc) e, depois o ser humano, agindo sobre ela com seu trabalho (toda atividade física e mental que o homem realiza criando ou inventando bens e serviços) passa criar instrumentos e relações sociais com os outros. Desde os primórdios sempre procuramos viver melhor, facilitar nosso modo de vida, isso faz parte da nossa natureza humana – isso acontece graças a tudo aquilo que nos diferencia dos outros animais como: a linguagem comunicativa simbólica, capacidade de invenção e criação intencional e planejada; tudo isso favorecida pelas nossas vantagens fisiológicas: como um cérebro desenvolvido, posição ereta e liberação das mãos. Assim, o homem primitivo criou o arco, a flecha, para facilitar a caça, criou a agricultura para sempre ter alimentos, criou roupas, para se proteger do frio, casas para se abrigar das tempestades (foi se criando a cultura material que são objetos e utensílios que facilitam a vida das pessoas) etc.
O homem primitivo percebeu que junto com outros seres humanos podia organizar uma vida social (sociedade) onde se protegeria dos grandes animais ferozes e de seus inimigos rivais, bem como conseguir mais alimentos, percebeu também que para perpetuar-se em grupos precisava de regras sociais que conduzisse as novas gerações (surgiu a cultura imaterial que são os costumes, as regras, os valores).
O mundo que resulta do pensar e do agir humano não pode ser chamado de natural, pois se encontra transformado e ampliado por nós. Portanto, as diferenças entre pessoa e animal não são apenas de grau, porque enquanto o animal permanece adaptado a natureza, nós somos capazes de transforma-la através do trabalho, tornando possível a cultura.
Ao mesmo tempo em que transforma a natureza, adaptando-a às necessidades humanas, o trabalho altera o próprio individuo, desenvolvendo suas faculdades. O trabalho é, portanto, condição de transcendência e, como tal, expressão da liberdade.
Antropologia
1.1. ANTROPOLOGIA
A antropologia é uma ciência social que surgiu no século XVIII. Porém, foi somente no século XIX que se organizou como disciplina científica. A palavra tem o seguinte significado, cuja origem etimológica deriva do grego anthropos/antropo (homem, pessoa) e logos/logia (razão, pensamento ou estudo). Esta ciência estuda, principalmente, os costumes, as crenças, os hábitos e aspectos físicos dos diferentes povos e a evolução da espécie humana.
A antropologia é o estudo do homem como ser biológico, social e cultural. Sendo cada uma destas dimensões por si só muito ampla, o conhecimento antropológico, geralmente a antropologia é organizada em áreas especializadas com o objetivo de estudar detalhadamente os aspectos culturais do ser humano, por isso, ela divide-se em:
Antropologia física ou biológica – estuda os aspectos genéticos e biológicos do homem;
Antropologia social – estuda as organizações sociais e políticas, instituições sociais, parentescos e etc.
Antropologia cultural – estuda os sistemas simbólicos, religiões, comportamentos e etc.
A antropologia utiliza como fontes de pesquisas: livros, imagens, objetos, depoimentos e as observações, através da vivência entre os povos ou comunidades estudadas, são comuns e fornecem muitas informações úteis ao antropólogo.
Qualquer que seja a definição é possível entender a antropologia como uma forma de conhecimento sobre a diversidade cultural, isto é, a busca de respostas para entendermos o que somos a partir do espelho fornecido pelo “outro” – aquilo que representa o diferente, o estranho, no que nos deixa perplexo. Assim ficamos vulneráveis sem o saber da certeza, expelimos nossa ignorância quando julgamos e avaliamos o que não conhecemos, caindo nos erros da generalização e do preconceito.
sábado, 18 de junho de 2016
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Revisão Bimesrtral (2º bim Colégio Miranda)
1)
Descreva sinteticamente como ocorreu o processo de urbanização pelo mundo desde
o século XIX, a partir da Europa, berço da Primeira Revolução Industrial, até a
atualidade.
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2) fale sobre a teoria de Thomás Malthus ou malthusiana.
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3) Por que os prognósticos de Malthus a respeito do
futuro da humanidade não se confirmaram?
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4) O que é índice de crescimento natural ou vegetativo?
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5) Explique os seguintes conceitos:
a)
Explosão demográfica;
b)
Transição demográfica.
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6) Qual foi a contribuição dos imigrantes para o
incremento demográfico brasileiro?
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7) Por que o crescimento natural brasileiro entrou em
declínio a partir da segunda metade do séc. XX?
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8) Por que o crescimento demográfico brasileiro entrou em
declínio a partir da segunda metade do séc. XX?
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9) Como iniciou-se os conflitos atuais na região da
Síria?
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10) Como se deu a assimilação dos Direitos Civis dos
negros no EUA?
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11) Explique a origem dos conflitos africanos.
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12) Quais são as exigências do País Basco à Espanha?
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13) O que são os seguintes conflitos:
a)
Caxemira:
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b)
Reino Unido:
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c)
América- Colômbia: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Gabarito
1)Ocorreu com o aumento da população dos centros urbanos, vindo do
interior para trabalhar na cidade, criando novas moradias.
2)Segundo Malthus a população cresceria em PG enquanto a Produção
,de Alimentos em PA, o que levaria ao colapso mundial.
3)Os prognósticos não se confirmaram porque a produção de
alimentos ultrapassa a expectativa levando ao desperdício de 30% do total
produzido.
4)É a diferença entre o total de nascimentos e óbitos.
5)a- É o aumento acelerado da população de um determinado espaço.
b- É a mudança de um grupo para um determinado espaço em razão de
fatores externos.
6)Os imigrantes aumentaram a população brasileira porque vieram
com suas famílias e fixaram-se.
7)Entrou em declínio porque a mulher brasileira decidiu trabalhar
fora, tendo assim menos tempo pra sua família então optou por um número menor
de filhos.
8)O crescimento demográfico entrou em declínio porque localidades
brasileiras perderam parte de sua população por causa de fatores naturais que
estimularam a migração.
9)Os conflitos na região da Síria iniciaram com a tentativa de
derrubar seu ditador,financiado por grandes potências.
10)Através de manifestações pacíficas lideradas por Martin Luther
King.
11)Os conflitos africanos tem origem na má distribuição do
território pelos seus colonizadores.
12)O País Basco tem língua e cultura próprias e quer se afastar de
dominação Espanhola e Francesa já que seus domínios abrangeram os dois países.
13) a- É um conflito étnico de longa data em que a maioria
muçulmana quer que a região pertença ao Paquistão não a Índia.
b- Conflito entre católicos e protestantes da Irlanda em que cada
grupo quer fazer prevalecer a sua religião.
c- Começou com uma revolução por direitos dos indígenas e hoje
perdeu sua referência pois associou-se ao narcotráfico.
terça-feira, 31 de março de 2015
O problema da escassez de água no mundo
A escassez de água no mundo é agravada em virtude da desigualdade social e da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. De acordo com os números apresentados pela ONU - Organização das Nações Unidas - fica claro que controlar o uso da água significa deter poder.
As diferenças registradas entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento chocam e evidenciam que a crise mundial dos recursos hídricos está diretamente ligada às desigualdades sociais.
Em regiões onde a situação de falta d'água já atinge índices críticos de disponibilidade, como nos países do Continente Africano, onde a média de consumo de água por pessoa é de dezenove metros cúbicos/dia, ou de dez a quinze litros/pessoa. Já em Nova York, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar dois mil litros/dia.
Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água, 21% vai para a indústria e apenas 6% destina-se ao consumo doméstico.
Um bilhão e 200 milhões de pessoas (35% da população mundial) não têm acesso a água tratada. Um bilhão e 800 milhões de pessoas (43% da população mundial) não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, temos a triste constatação de que dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água.
Vivemos num mundo em que a água se torna um desafio cada vez maior.
A cada ano, mais 80 milhões de pessoas clamam por seu direito aos recursos hídricos da Terra. Infelizmente, quase todos os 3 bilhões (ou mais) de habitantes que devem ser adicionados à população mundial no próximo meio século nascerão em países que já sofrem de escassez de água.
Já nos dias de hoje, muitas pessoas nesses países carecem do líquido para beber, satisfazer suas necessidades higiênicas e produzir alimentos.
Numa economia mundial cada vez mais integrada, a escassez de água cruza fronteiras, podendo ser citado com exemplo o comércio internacional de grãos, onde são necessárias 1.000 toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, sendo a importação de grãos a maneira mais eficiente para os países com déficit hídrico importarem água.
Calcula-se a exaustão anual dos aqüíferos em 160 bilhões de metros cúbicos ou 160 bilhões de toneladas.
Tomando-se uma base empírica de mil toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, esses 160 bilhões de toneladas de déficit hídrico equivalem a 160 milhões de toneladas de grãos, ou metade da colheita dos Estados Unidos.
Os lençóis freáticos estão hoje caindo nas principais regiões produtoras de alimentos:
• a planície norte da China;
• o Punjab na Índia e
• o sul das Great Plains dos Estados Unidos, que faz do país o maior exportador mundial de grãos.
A extração excessiva é um fenômeno novo, em geral restrito a última metade do século.
Só após o desenvolvimento de bombas poderosas a diesel ou elétricas, tivemos a capacidade de extrair água dos aqüíferos com uma rapidez maior do que sua recarga pela chuva.
Além do crescimento populacional, a urbanização e a industrialização também ampliam a demanda pelo produto. Conforme a população rural, tradicionalmente dependente do poço da aldeia, muda-se para prédios residenciais urbanos com água encanada, o consumo de água residencial pode facilmente triplicar.
A industrialização consome ainda mais água que a urbanização. A afluência (concentração populacional), também, gera demanda adicional, à medida que as pessoas ascendem na cadeia alimentícia e passam a consumir mais carne bovina, suína, aves, ovos e laticínios, consomem mais grãos.
Se os governos dos países carentes de água não adotarem medidas urgentes para estabilizar a população e elevar a produtividade hídrica, a escassez de água em pouco tempo se transformará em falta de alimentos.
Estes governos não podem mais separar a política populacional do abastecimento de água.
Da mesma forma que o mundo voltou-se à elevação da produtividade da terra há meio século, quando as fronteiras agrícolas desapareceram, agora também deve voltar-se à elevação da produtividade hídrica.
O primeiro passo em direção a esse objetivo é eliminar os subsídios da água que incentivam a ineficiência.
O segundo passo é aumentar o preço da água, para refletir seu custo. A mudança para tecnologias, lavouras e formas de proteína animal mais eficientes em termos de economia de água proporciona um imenso potencial para a elevação da produtividade hídrica. Estas mudanças serão mais rápidas se o preço da água for mais representativo que seu valor.
Com esta conscientização cada vez mais crescente, cada nação vem se preparando ao longo do tempo para a valorização e valoração de seus recursos naturais.
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,sistema-cantareira-tem-57-menos-agua-do-que-tinha-ha-1-ano,1659527O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,sistema-cantareira-tem-57-menos-agua-do-que-tinha-ha-1-ano,1659527O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,sistema-cantareira-tem-57-menos-agua-do-que-tinha-ha-1-ano,1659527Maior crise hídrica de SP expõe lentidão do governo e sistema frágil
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Publicado por Carolina Salles e mais 1 usuário - 1 ano atrás
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No dia 1º de fevereiro, 8,8 milhões de paulistanos foram surpreendidos por uma novidade: se consumissem 20% menos água, ganhariam desconto de 30% na conta seguinte. O bônus faz parte das medidas emergenciais adotadas pelo governo do Estado durante a pior crise hídrica vivida por São Paulo na sua história recente. A princípio, o bônus valeria até setembro, mas, em março, foi estendido até o fim do ano. O significado da prorrogação é claro: o problema é grave e não há previsão de quando será resolvido – e a situação pode piorar.
Após o verão mais quente e seco em sete décadas, o nível do principal conjunto de reservatórios da região metropolitana, o Sistema Cantareira, chegou a 14,6% na última sexta-feira, o mais baixo desde que foi criado, em 1974. O comitê anticrise, formado pela Agência Nacional de Águas (ANA), o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), estima que o Cantareira se esgotará pela primeira vez em junho, se nada for feito.
O governo de São Paulo aponta como razão o clima. "Com mudanças climáticas, tem ano em que chove demais e, em outros, de menos", afirmou o governador Geraldo Alckmin em entrevista à rádio Bandeirantes. "É uma situação excepcional."
Mas a situação não é tão incomum. Maria Assunção Silva Dias, pesquisadora de Ciências Atmosféricas da USP, diz à BBC Brasil que São Paulo já viveu períodos graves de escassez. “Não é nem preciso falar em mudanças climáticas. Existe a variabilidade normal do clima", afirma Dias."Desde 1930, tivemos vários anos de precipitação bem abaixo da média, alguns deles seguidos. Se aconteceu no passado, pode acontecer de novo. Não é surpresa."
Entre 2009 e 2013, São Paulo viveu a situação contrária, com chuvas até 30% acima da média. Era natural, diz a especialista, que em seguida viesse um período de seca."Tinha-se a ideia de que havia autossuficiência de água em São Paulo, mas não é verdade”, afirma Dias. “A crise expôs a fragilidade do sistema, que opera no limite. Bastaram três meses de pouca chuva para ver que ele não se sustenta."
Dependência A permissão para que a Sabesp retire água do Cantareira foi renovada há dez anos, quando o atual governador Alckmin ocupava o mesmo cargo. Na época, já se previa no contrato de outorga buscar formas de reduzir a dependência da região da capital, que é abastecida por outros três sistemas – o Alto Tietê, Guarapiranga e Rio Claro -, em relação ao Cantareira.
Na avaliação do Ministério Público do Estado (MPE), o governo não cumpriu essa exigência." São Paulo continua a retirar a mesma quantidade de água do que há dez anos e pede ainda mais na nova permissão, que será conferida em agosto ", diz a promotora Alexandra Faccioli."Estamos passando por esta situação porque o planejamento falhou. Não foi feito o que era necessário."
O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni, diz que medidas importantes foram tomadas, como a redução do desperdício de água no sistema de transmissão de 30,7%, em 2011, para 25,7% em 2013. Ainda assim, hoje um quarto da água tratada se perde em algum lugar do caminho entre a represa e a torneira.
O governo passou a captar mais água da bacia do Alto Tietê: de 10 mil litros por segundo para 15 mil litros por segundo. Também começou as obras para usar mais 4,7 mil litros por segundo do Vale do Ribeira, no interior do estado, com a construção do sistema São Lourenço. O início das operações era previsto para 2016, mas foi revisto para 2018." Sem essas ações estaria faltando água ", diz Giriboni." A falta de chuvas complica. "
Abaixo do normal Não se pode, de fato, desconsiderar a questão climática entre os motivos desse momento crítico. O último verão foi o mais quente desde 1943, quando começaram as medições. A temperatura média, de 31,3ºC, ficou 3ºC acima do que no verão passado. Tudo graças a uma zona de alta pressão do Oceano Atlântico, que ficou parada sobre a região Sudeste por semanas e afastou as frentes frias e as chuvas.
O alerta soou em dezembro, quando choveu 72% abaixo do normal. Em janeiro e fevereiro, a média foi 66% e 64% menor, respectivamente. É a estiagem mais intensa nos registros de chuvas feitos desde 1930.
A pior marca anterior, de 61%, havia ocorrido em janeiro de 1953. Mas, na época, havia dez vezes menos pessoas vivendo na grande São Paulo, que conta com aproximadamente 20 milhões de habitantes atualmente.
"O crescimento urbano acelerado aumentou a demanda de forma desorganizada. Com isso, o sistema ruiu”, diz Mario Mendiondo, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), à BBC Brasil. "É a crise mais impactante dos últimos 80 anos."
Alerta No entanto, o governo estadual já havia sido alertado da fragilidade do sistema em 2009, durante a administração de José Serra, que é do mesmo partido do atual governador Geraldo Alckmin, o PSDB. Um documento produzido pela Fundação de Apoio à USP, o relatório final do Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, destacava que o Cantareira tinha um “déficit de grande magnitude” e aconselhava que medidas fossem tomadas para evitar seu colapso.
O Ministério Público questiona ainda a ação do governo durante a crise. Em 3 de fevereiro, o MPE e o Ministério Público Federal enviaram um documento ao governo recomendando que a quantidade de água enviada a São Paulo fosse reduzida.
A Sabesp tem direito a usar 24,8 mil litros por segundo do sistema Cantareira. Com a seca, vinha usando 33 mil litros. Fazia isso porque tinha direito a um excedente previsto nas regras. Se em um ano chove bastante e não se usa toda a água, ela é contabilizada como economia e pode ser distribuída à população depois.
A redução acabou sendo realizada, um mês depois – primeiro para 31 mil litros e, agora, para 27,9 mil litros por segundo. "Cumprimos as determinações dos órgãos reguladores", diz o secretário Giriboni. "A situação é avaliada mensalmente, e havia em fevereiro uma possibilidade estatística de que chovesse bastante. Só que não choveu."
Risco Manter o volume retirado evitou que as torneiras secassem, mas acelerou o esvaziamento do Cantareira. "Respeitar o limite da permissão implicaria em racionamento, medida que já deveria ter sido adotada. Mas há uma resistência grande em fazer isso porque não parece ser conveniente no momento" , diz Faccioli, do MPE. "Colocou-se o sistema em risco. Precisamos de medidas de longo prazo e não imediatistas."
Para evitar o racionamento, o governo estadual iniciou obras avaliadas em R$ 80 milhões nas represas de Jaguari e Jacareí, no município de Joanópolis, e de Atibainha, em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. Isso permitirá retirar a água que fica no fundo, além do alcance do atual sistema de captação. Esse recurso nunca havia sido usado. O chamado volume morto é de cerca de 400 bilhões de litros. A previsão é usar metade.
Ainda foram redirecionadas águas das Bacias do Tietê e Guarapiranga para atender 3 milhões de pessoas. A exigência de consumo mínimo de água foi suspenso. A empresa ModClima foi contratada por R$ 4,5 milhões para produzir chuva artificial sobre os reservatórios. E houve um corte de 15% da quantidade de água vendida para as cidades de São Caetano e Guarulhos – esta última aplicou um sistema de racionamento para compensar a perda.
Dois novos 'Cantareiras' Mas, segundo cálculos do próprio governo em um estudo elaborado ao longo de mais de cinco anos - e apresentado neste mês -, São Paulo necessita dois novos sistemas equivalentes ao Cantareira nos próximos 20 anos para evitar o desabastecimento. O investimento é de, no mínimo, R$ 4 bilhões.
Duas barragens na região das bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí já começaram a serem construídas. Quando estiverem prontas, em 2018, gerarão 7 mil litros por segundo. O estado ainda tenta obter junto ao governo federal autorização para ligar o Cantareira à Represa Jaguari, em Igaratá, por meio de canais e bombas. Avaliada em R$ 500 milhões, a ligação levaria mais 5,1 mil litros por segundo ao Cantareira a partir do segundo semestre de 2015.
Esta represa recebe água do Rio Paraíba do Sul, que abastece 184 cidades em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Governo e prefeituras fluminenses resistem à proposta. "Meus técnicos adiantaram que é uma possibilidade remota, eu diria inviável, porque ela implica atrapalhar o abastecimento da população do Rio", disse o governador Sérgio Cabral, em sua conta no Twitter. "Isso não será tolerado."
Peso eleitoral A questão começa também a ganhar peso eleitoral. Na sexta-feira, dois pré-candidatos ao governo estadual, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha e o presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, criticaram o governo Alckmin.
"Se uma obra pode resolver o problema em um ano, por que não foi anunciada antes?", questionou Skaf em um congresso no interior do estado. Padilha fez coro em um artigo: "Soluções permanentes levam quatro anos (para ficar prontas). Resta torcer para que chova".
As perspectivas não são animadoras. Apesar de em março ter chovido acima da média, não foi suficiente para reverter a situação do Cantareira. Segundo um estudo do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), a cabeceira do sistema precisa receber ao menos três vezes mais chuvas do que o normal para elevá-lo a níveis mínimos.
Com o início do outono, na última sexta-feira, a expectativa é de boa quantidade de chuvas entre abril e maio, mas a tendência é que a escassez volte dali em diante com o tempo seco do inverno. "Dificilmente vamos sair dessa situação crítica até a próxima temporada de chuvas, no fim do ano", afirma Dias, da USP. Enquanto isso, é melhor economizar água.
Foto: Reuters
Fonte: BBCBrasil. Com - http://noticias.terra.com.br/brasil/maior-crise-hidrica-de-sp-expoe-lentidao-do-governoesistema-fr...
Carolina Salles
Direito Ambiental
Mestre em Direito Ambiental. Doutoranda em Direito Ambiental e Sustentabilidade.
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Multa por aumento no consumo de água volta a valer em SP, decide TJ
Liminar suspendeu por um dia a cobrança da tarifa de contingência.
Desembargador diz que proibir multa pode causar prejuízo à saúde pública.
Do G1 São Paulo
FACEBOOK
O governo de São Paulo conseguiu obter a suspensão da liminar que proibia a cobrança de multa aos clientes da Sabesp que aumentarem o consumo de água. O recurso foi protocolado nesta quarta-feira (14) pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) de São Paulo no Tribunal de Justiça (TJ) e foi analisado pelo desembargador José Renato Nalini no mesmo dia.
O desembargador, que também é presidente do TJ, recusou o argumento da juíza Simone Viegas de Moraes Leme, da 8ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo. Ela tinha afirmado que a lei federal 11.445/207 exige a adoção de racionamento oficial antes de aplicar tarifa de contingência.
Nesta quarta, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi questionado sobre a decisão da juíza Simone Leme. Ele admitiu que o estado já passa por racionamento desde que a Agência Nacional de Águas (ANA) determinou em março de 2014 a diminuição na retirada de água do Sistema Cantareira. Ele descartou usar decreto para declarar o racionamento.
Vai-e-vem da multa
Há uma semana, a Sabesp foi autorizada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) a aplicar multa de 40% a 100% para quem consumir mais água neste ano no comparativo entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014.
Mas, na terça-feira (13), a juíza Simone Leme avaliou ação protocolada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste). Ela concedeu uma decisão provisória (liminar).
No despacho, a juíza disse que "o racionamento é oficioso e não atinge a população paulista de forma equânime com deveria". Ela também cobrou da companhia de abastecimento a eliminação das perdas e campanha de esclarecimento antes de impor multa.
Prejuízo à saúde pública
Após recurso do PGE, o desembargador José Renato Nalini afirmou que inibir a implantação da tarifa de contingência poderia causar prejuízo à saúde pública.
“Ninguém sobrevive sem água. A tarifa de contingência obteria economia aproximada a 2.500 litros por segundo, volume capaz de abastecer mais de 2 milhões de consumidores”, afirmou.
Segundo o presidente do TJ, a implantação da tarifa de contingência observou o artigo 46 da Lei Federal nº 11.445/2007, que autoriza a adoção de mecanismos tarifários para cobrir custos decorrentes de situação crítica.
“Em momento algum a lei condiciona a adoção legal a uma formal e prévia decretação de racionamento. Está presente e perdura há meses a situação muito além de crítica na escassez dos recursos hídricos”, afirmou o desembargador.
Redução de pressão
Na decisão liminar de terça-feira, a juíza Simone Viegas de Moraes Leme também cobrou que a Sabesp informasse os bairros atingidos por "manobras ou redução de pressão". Assim como Alckmin, a Sabesp também admitiu, pela primeira vez, que toda a Região Metropolitana está com redução de pressão no abastecimento e divulgou mapa das áreas afetadas (veja no mapa abaixo ou na lista ampliada de bairros aqui).
Região Metropolitana de São Paulo atingida pela redução de pressão da água (Ilustração: Sabesp)
NÍVEL DOS SISTEMAS
Nesta quarta-feira (14)
- Cantareira: 6,3%
- Alto Tietê: 11,1%
- Guarapiranga: 40%
- Alto Cotia: 30%
- Rio Grande: 69,8%
- Rio Claro: 26,5%
Escassez no Cantareira
O principal conjunto de reservatórios da Grande São Paulo é o Sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas e tem capacidade total de 1,46 trilhão de litros.
O nível nesta quarta-feira era de 6,3% e conta com água do segundo volume morto, que tem reserva de 105 bilhões de litros. Tanto o volume útil (973 bilhões de litros) quanto o primeiro volume morto (182,5 bilhões de litros) já foram esgotados.
O Cantareira teve 59,6 mm de chuva desde o dia 1º de janeiro, o que representa 22% da média histórica para o mês, que é de 271,1 mm. Em dezembro, quando começou o verão, o índice de chuva também ficou abaixo da média. Dos 220,9 mm esperados, choveu 165,5 mm, ou seja, 74,9% da média para o mês.
Cantareira pode secar até março
A redução na retirada de água das represas do Cantareira começou a ser adotada em 2014. No dia 13 de março do ano passado, a vazão captada passou de 33 para 27,9 metros cúbicos por segundo, por determinação da ANA. Ao SPTV, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse que a retirada atual será de 13 metros cúbicos por segundo e que o Cantareira pode secar até março.
Tanto governo do estado quanto Sabesp defendem que a redução da pressão é mais eficiente que o rodízio de água. Nesta manhã, a companhia divulgou que todos seus clientes em bairros da capital paulista e nas cidades da Grande São Paulo recebem água com pressão durante algum período do dia.
A companhia afirma que a redução ocorre “preponderantemente durante a noite/madrugada, período em que grande maioria da população dorme e as atividades econômicas praticamente inexistem”. Se o imóvel tiver caixa-de-água a redução da pressão na rede não é percebida, diz a companhia.
FALTA D'ÁGUA EM SP
Seca afeta abastecimento
Chove, mas por que não sobe?
Apesar dos temporais registrados na capital e Grande São Paulo desde o fim do ano passado, o nível das represas não subiu porque as chuvas isoladas são insuficientes para aumentar o volume dos reservatórios.
A chuva que poderia ajudar na recuperação é formada por sistemas frontais (frentes frias) ou por corredores de umidade que saem da Amazônia com sentido à região Sudeste.
Mas, segundo os meteorologistas do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), vinculado à Prefeitura de São Paulo, e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), um bloqueio atmosférico impede que esses sistemas cheguem até o estado de São Paulo e não permite chuvas mais generalizadas e com tempo maior de duração.
"Além de localizada, essa chuva é mal distribuída e só atinge os centros urbanos, não a região da maioria dos reservatórios. E, mesmo assim, a chuva isolada em um reservatório que faz parte de um sistema não agrega muita coisa. O ideal seria chover em todo o sistema”, afirmou o meteorologista do CGE Adilson Nazário.
E se o Cantareira secar? Veja fatos e a opinião de especialistas
Janeiro tem menos chuva do que previsto e cresce possibilidade de colapso.
Na semana passada, presidente da Sabesp admitiu que sistema pode secar.
Isabela LeiteDo G1 São Paulo
FACEBOOK
Na semana passada, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse ao SPTV 1ª edição que o principal sistema de abastecimento de São Paulo, o Cantareira, pode secar nos próximos meses (veja entrevista). No pior cenário, seca em março, segundo Kelman, que assumiu o comando da empresa estatal de água e esgoto neste mês, em meio a grave crise.
Mas o que acontece se realmente acabar a água do Cantareira? O G1 ouviu o que dizem especialistas e o governo.
Veja abaixo os principais cenários caso o reservatório entre em colapso:
MARÇO PODE SER LIMITE: Projeção do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres do Ministério da Tecnologia aponta que se a chuva for somente 10% da média histórica durante o verão, a água do volume morto do Cantareira pode se esgotar em março.
Caso a chuva mantenha a média de dezembro (74,9% do previsto para o mês), a água pode acabar em junho, segundo a projeção. O presidente da Sabesp não descartou essa previsão. Hoje, o governo do estado só tem autorização para usar a água do segundo volume morto.
APOSTA É O 3º VOLUME MORTO: A Sabesp aposta que sim. Além de contar com a economia da população, a empresa diz que ainda estuda usar o 3º volume morto disponível na represa Atibainha.
"O uso depende também de aprovação da Agência Nacional de Águas (ANA). O volume corresponde a 41 bilhões de litros de água", informa a Sabesp. “Seria o último recurso”, afirmou o presidente da Sabesp, Jerson Kelman. Em outubro do ano passado, o governador Geraldo Alckmin chegou a citar o 3º volume morto como alternativa, mas negou que a medida estivesse nos planos.
O professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em recursos hídricos Antônio Carlos Zuffo diz que, em caso de o sistema se esgotar, a Sabesp pode ter que distribuir apenas o que entrar nas represas, por chuva ou pelos rios que abastecem os reservatórios. “Sem o volume morto, só seria possível usar o volume de água referente à vazão de entrada no sistema, que depende do dia e das condições climáticas”, disse Zuffo.
PRAZO E ALTERNATIVAS NÃO SÃO CLAROS: A Sabesp não tem previsão de quanto tempo pode durar a terceira cota do volume morto. A empresa também não divulga previsões sobre os outros sistemas.
O professor da Unicamp e especialista em recursos hídricos Antônio Carlos Zuffo diz que uma estratégia para garantir água para a população pode ser limitar o uso no comércio e indústria. “Mesmo antes de entrar no rodízio, pode haver suspensão de uso da água que não seja abastecimento humano, como comercial e industrial”, afirmou o especialista.
CAPACIDADE DOS DEMAIS SISTEMAS É LIMITADA: Segundo dados da Sabesp, ainda que fosse possível uma interligação plena, os demais sistemas têm capacidade limitada e são bem menores que o Cantareira:
Cantareira
Capacidade: 1,4 trilhão de litros
Nível em 20/01/14: 5,6%
Abastece 6,2 milhões de habitantes
Alto Tietê
Capacidade: 520 bilhões de litros
Nível em 20/01/14: 10,2%
Abastece 4,5 milhões de habitantes
Guarapiranga
Capacidade: 171 bilhões de litros
Nível em 20/01/14: 38,5%
Abastece 5,2 milhões de pessoas
Rio Grande
Capacidade: 112 bilhões de litros
Nível em 20/01/14: 68,8%
Abastece 1,2 milhão de pessoas
Alto Cotia
Capacidade: 16 bilhões de litros
Nível em 20/01/14: 28,5%
Abastece 410 mil pessoas
Rio Claro
Capacidade: 13 bilhões de litros
Nível em 20/01/14: 22,6%
Abastece 1,5 milhão de pessoas
SABESP NEGA POSSIBILIDADE IMEDIATA: O Cantareira já atendeu 9 milhões de pessoas. Com o remanejamento e interligação, hoje fornece água para 6,2 milhões. “A falta de chuva atinge todos os mananciais. Neste momento, não temos possibilidade de aumentar o remanejamento de vazão”, disse o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato.
Ainda segundo Massato, as possibilidades seriam o Alto Tietê e Alto Cotia, que operam com nível baixo, além do Sistema Guarapiranga, cujas obras ainda estão em andamento. “Existem várias propostas, mas que foram projetadas para um período em que voltaria a chover mais”, afirmou.
SISTEMA É ALTERNATIVA DE LONGO PRAZO: Ampliar a produção de água do Guarapiranga é uma alternativa viável, segundo especialistas, mas a médio ou longo prazo, pois não foi projetado para uma demanda tão alta.
“Seria necessário fazer toda a ampliação de novas estações de tratamento. E isso é uma obra demorada”, explicou o geólogo Pedro Luiz Côrtes, que também é pesquisador da USP e membro do programa de Mestrado em Gestão Ambiental da Uninove.
“A última solução seria lançar água bruta direto na rede, mas isso contamina a água e ela vai com cor. A única coisa que dá para fazer é desinfetar, mas não deixa a água potável”, completou o pesquisador da Unicamp Antônio Carlos Zuffo.
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BILLINGS PODE SER ALTERNATIVA DE LONGO PRAZO: A represa Billings, que armazena principalmente água para geração de energia elétrica, possui 600 bilhões de litros, mas de péssima qualidade por causa da contaminação por esgoto. Ela é apontada por especialistas como alternativa.
A Sabesp admite que estuda formas de tratar e distribuir essa água. Mesmo assim, não há indicativos da companhia de abastecimento de que o volume da Billings possa ser usado de imediato na atual crise.
A Billings poderia ser considerada, mas tem níveis de poluição consideráveis, e você precisa desenvolver essa estrutura que não é feita do dia para a noite"
Pedro Luiz Côrtes,
geólogo e especialista em recursos hídricos
“Tecnologicamente não há empecilho [para usar essa água], mas há um problema de prazo e o segundo é o transporte. É uma caixa d'água enorme, uma reserva fundamental”, explicou o presidente da Sabesp.
O geólogo Pedro Luiz Côrtes diz que falta estrutura para uso imediato. “A Billings poderia ser considerada, mas tem níveis de poluição consideráveis, e você precisa desenvolver essa estrutura que não é feita do dia para noite”, defendeu o geólogo.
ALTERNATIVA É OPÇÃO PONTUAL: A curto prazo, o uso de água subterrânea poderia ser uma alternativa pontual e para uso restrito durante a crise, segundo o geólogo Pedro Luiz Côrtes. Ele usou como exemplo um estudo de geociência da USP que apontou ser possível extrair 10 mil litros de água/segundo com poços abertos pela Sabesp.
"A Sabesp teria a possibilidade de abrir esses poços em um prazo de 30 dias e o tratamento dessa água é muito mais simples que um volume morto, por exemplo, mas para abastecer locais emergenciais, como escolas e hospitais", explicou o especialista.
"Poços profundos só seriam interessantes para atender uma demanda urgente e pontual", completou o professor titular de recursos hídricos do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA) da Escola Politécnica da USP, Mario Thadeu Leme de Barros. Perfuração indiscriminada de poços pode comprometer outras regiões que dependem da água profunda.
Existem uma proposta do governo de explorar uma área de afloramento do Aquífero Guarani no interior do estado e reforçar o abastecimento em cidades da bacia Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) com a perfuração de 24 poços profundos. Isso, segundo o governador, aliviaria o Sistema Cantareira. Não há previsão para início das obras.
ESTRATÉGIA ESTÁ PARCIALMENTE EM ANDAMENTO: O reaproveitamento da água da chuva e esgoto tratado aliviaria a dependência do Cantareira, principalmente em locais com alto consumo, como indústria e irrigação, segundo Gesner Oliveira, ex-presidente da Sabesp (gestão 2007 a 2010) e sócio de uma consultoria especializada em recursos hídricos.
"A reciclagem para a água me parece a melhor alternativa, em particular a situação de reúso do Sistema Guarapiranga e Alto Cotia", disse. O governo do estado anunciou no ano passado obras de implantação das Estações Produtoras de Água de Reúso (EPARs) para aumentar a disponibilidade hídrica nos dois sistemas em 14% e 100%, respectivamente, com tratamento de esgoto.
Se o prazo prometido for cumprido, a primeira obra - do Guarapiranga - ficará pronta em novembro deste ano. "Tudo isso precisaria ser feito com o ritmo que o problema requer. Essas obras precisariam de uma abordagem especial e deveria haver uma aceleração. Com a água de reúso, os resultados surgem em um período curto, ainda em 2015", completou o ex-presidente da Sabesp.
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